Devoção mariana
Nossa Senhora dos Milagres, padroeira da cidade e arquidiocese de Salta.
Advogação mariana de Salta
Segundo a tradição, em 1592 o bispo do Tucumán, fray Francisco de Victoria, recebeu como doação duas imagens encontradas em circunstâncias consideradas prodigiosas: um Cristo crucificado de tamanho natural destinado à igreja matriz de Salta e uma imagem da Imaculada (Virgen do Rosário) destinada a Córdoba. Ambas teriam chegado em caixas de madeira flutuando no porto do Callao (Perú), desde onde foram enviadas ao noroeste argentino. Com o tempo, a imagem mariana ligada a Salta será conhecida como Nossa Senhora do Milagre, ao associar-se aos fatos de 1692.
Dados principais
Origem e história
Segundo a tradição, em 1592 o bispo do Tucumán, fray Francisco de Victoria, recebeu como doação duas imagens encontradas em circunstâncias consideradas prodigiosas: um Cristo crucificado de tamanho natural destinado à igreja matriz de Salta e uma imagem da Imaculada (Virgen do Rosário) destinada a Córdoba. Ambas teriam chegado em caixas de madeira flutuando no porto do Callao (Perú), desde onde foram enviadas ao noroeste argentino. Com o tempo, a imagem mariana ligada a Salta será conhecida como Nossa Senhora do Milagre, ao associar-se aos fatos de 1692.
Em 1692 houve fortes terremotos que afetaram gravemente a região, destruindo completamente a cidade de Esteco e danificando seriamente Salta. A tradição piedosa recolhe que a imagem da Imaculada, localizada em alto na igreja matriz, caiu durante os tremores e apareceu de pé, intacta, aos pés da cruz ou perto do presbitério, interpretando-se como sinal de especial proteção. Também se narra a mudança de cor no rosto da Virgem, visível para os fiéis que acudiam a orar. Diante da persistência dos tremores, o povo organizou processões penitenciárias com a imagem da Virgem e, finalmente, o 15 de setembro de 1692, ao tirar também a imagem do Cristo crucificado em procissão, cessaram os movimentos sísmicos, o que foi considerado o grande “Milagro”.
Do ponto de vista da historia documentada, está testemunhada a presença da imagem da Imaculada em Salta no final do século XVII e a existência de terremotos muito graves em setembro de 1692, bem como a origem de uma solene procissão penitência anual e de um “pacto de fidelidade” do povo com o Senhor e a Virgem do Milagre, renovado a cada setembro. A interpretação da queda da imagem, a mudança de cor do rosto e o vínculo imediato entre a procissão e a cessação dos tremores pertence ao âmbito da tradição devota, transmitida por crônicas e piedade popular, sem se poder reconstruir em todos seus detalhes com critérios estritamente críticos.
A imagem e o santuário
A imagem de Nossa Senhora do Milagre é uma representação da Imaculada Conceição, de pé, com as mãos juntas em atitude orante, seguindo o tipo iconográfico clássico da Virgem Imaculada da época colonial. A tem-se relacionado também com a invocação do Rosário, dado a origem da doação episcopal e o contexto doutrinal tridentino. Está ricamente vestida e ornamentada, e se apresenta em um camarín situado no altar maior, onde recebe a veneração dos fiéis. As fontes consultadas não especificam com certeza o material original do talha (madeira, estuco, etc.), pelo que sem conteúdo com segurança o tipo de material.
O local de culto principal é a Catedral Basílica de Salta, oficialmente Catedral Basílica Senhor e Virgem do Milagre, sede da Arquidiocese de Salta. O templo, de estilo neoclássico com elementos barrocos em sua decoração interior, é um dos principais santuários marianos e cristológicos do norte argentino. A catedral foi reconhecida como basílica menor, e nela se conservam em camarines contiguos as imagens do Senhor do Milagre ( Cristo crucificado) e de Nossa Senhora do Milagre, para as quais convergem as grandes peregrinações anuais.
Patronagem e coroação
Nossa Senhora do Milagre é Patrona da cidade de Salta e da Arquidiocesis de Salta, em união inseparável com a devoção ao Senhor do Milagre. A piedade popular salteña se identifica fortemente com esta invocação, que se considera protetora da cidade e da província, especialmente em situações de perigo ou desastres naturais.
Quanto à coroação canônica, as fontes marianas e históricas consultadas indicam que a imagem de Nossa Senhora do Milagre foi coroada canônica em 1912. A coroação inscreve-se no contexto do auge das coroações marianas na Argentina do início do século XX, como reconhecimento oficial da antiquíssima devoção do povo salteño. Não foi encontrado nas fontes revisadas o nome do pontífice que autorizou o ato nem do delegado pontifício que presidiu a cerimônia, pelo que não consta com segurança este dado nos documentos acessíveis.
Celebração e devoção
La festa principal se celebridade el 15 de Setembro, dia em que se comemora o Milagre de 1692 e tem lugar a grande procissão penitenciária com as imagens do Senhor e da Virgem do Milagre pelas ruas de Salta. A celebração se prolonga em um extenso ciclo de culto: nona de 6 a 14 de setembro e triduo solene na Catedral Basílica os dias 13, 14 e 15, com especial dedicação à Virgem (13), à exaltação da Santa Cruz (14) e ao Senhor do Milagre (15).
A procissão do Milagre é considerada uma das manifestações de religiosidade popular mais importantes da Argentina e Ibero-América, congregando anualmente centenas de milhares de fiéis provenientes não só da cidade e da província de Salta, mas de outras regiões do país e países vizinhos. Destaca a chegada de numerosos peregrinos a pé, muitos deles desde distâncias muito longas, bem como a presença de gauchos, famílias inteiras, paróquias, escolas e autoridades civis e eclesiásticas. O povo renova publicamente seu pacto de fidelidade com o Senhor e a Virgem do Milagre, pedindo proteção e comprometendo-se a viver segundo o Evangelho.
A devoção cotidiana inclui a oração de nonas tradicionais (uma delas composta em 1760 pelo presbítero Francisco Javier Fernández), cantos próprios e visitas ao camarín da Virgem, que muitos consideram “Protectora da cidade”. A festa do Milagre marca profundamente o calendário religioso, social e cultural de Salta, constituindo seu coração espiritual.
Ligação com o Rosário
As fontes históricas indicam que a imagem mariana originalmente doada ao território pelo bispo Francisco de Victoria é uma Imaculada/Virgen del Rosario, o que liga desde a origem esta invocação com a espiritualidade rosariana. Além disso, o caráter penitenciário e contemplativo das celebrações de setembro acompanha-se habitualmente do rezo comunitário do Rosário, tanto na catedral quanto nos caminhos de peregrinação, embora as fontes consultadas não assinalam uma prática rosariana exclusiva ou específica desta invocação.
Por isso, sem conteúdo uma forma própria do Rosário do Milagre com textos ou fórmulas singulares, mas a devoção a Nossa Senhora do Milagre é harmonizada naturalmente com o Rosário, que permite meditar os mistérios de Cristo em companhia de Maria, especialmente os mistérios dolorosos e gloriosos, tão presentes na experiência do terremoto, a conversão do povo e a renovação do pacto de fidelidade. O Rosário torna-se assim um meio privilegiado para acompanhar espiritualmente os peregrinos, sustentar a penitência e alimentar a confiança na intercessão materna da Virgem do Milagre ao longo de todo o ano.
🌹 Uma flor para Virgem
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