A pedra que retornou: a Negrita de Cartago

Anedotas sobre a Virgem Maria

A pedra que retornou: a Negrita de Cartago

Cartago (Costa Rica) (c. 1635)

La piedra que volvía: la Negrita de Cartago
Basílica de Nuestra Señora de los Ángeles, Cartago (Costa Rica). Foto: Bernard Gagnon, Wikimedia Commons (CC0)

No bairro de Puebla de los Pardos, em Cartago, viviam pessoas negras e simples que ganhavam a vida com o trabalho manual. Uma piedosa tradição conta a história de uma jovem mulata que, ao sair para recolher lenha, encontrou, sobre uma pedra perto de uma pequena nascente, uma minúscula imagem escura da Virgem com o Menino, com apenas vinte centímetros de altura, como uma bonequinha segurando um bebê. Ela a levou para casa com carinho e a guardou envolta em um pano.

Mas no dia seguinte, ao retornar à montanha, ela encontrou a mesma imagem novamente na rocha. E quando abriu a gaveta em casa, estava vazia. Isso aconteceu várias vezes, até que a menina, confusa, foi até o padre da paróquia. Mesmo permanecendo na igreja paroquial, o milagre não parou: a imagem retornou à rocha. A cidade então compreendeu que a Virgem queria seu templo justamente ali.

Donde ella volvía una y otra vez, allí quiso quedarse: la Madre eligió el sitio de los más pobres.

É importante distinguir cuidadosamente entre tradição e história. A história da menina, as aparições e aparições da imagem, e os detalhes do diálogo com o padre pertencem à tradição piedosa, transmitida oralmente e registrada por escrito no século XIX. O nome "Juana Pereira" não aparece no texto mais antigo conhecido, o do Padre Miguel Bonilla (1824), que se referia apenas a uma "humilde mulher mulata"; o número exato de vezes que a imagem retornou também não está registrado em documentos antigos.

O que está documentado é a longa devoção a Nossa Senhora dos Anjos em Cartago desde os tempos coloniais, o santuário erguido no local da descoberta — hoje a Basílica de Nossa Senhora dos Anjos —, sua proclamação como Padroeira da Costa Rica em 1824 e a grande peregrinação nacional em 2 de agosto, atestada desde o final do século XIX. O ano exato da descoberta é incerto: a tradição repete 1635, mas fontes confiáveis reconhecem que essa data não está registrada. Apenas sua ligação com o dia 2 de agosto, dia da festa de Nossa Senhora dos Anjos, está firmemente estabelecida.

Ainda hoje, todo dia 2 de agosto, milhares de costarriquenhos caminham até a Basílica, muitos de joelhos no trecho final, e recolhem água da nascente como sinal de bênção. A pequena "Negrita" continua a atrair toda uma comunidade para a sua rocha.

Fuentes: Catholic.net, «La leyenda de Juana Pereira y Nuestra Señora de los Ángeles»; Wikipedia en español, «Virgen de los Ángeles (Costa Rica)»; vídeo histórico «Símbolo de identidad costarricense: la leyenda de la Negrita» (sobre el texto de Miguel Bonilla, 1824); relato tradicional en Padul Cofrade; artículo «La Negrita y su Templo: un viaje por la historia de la Basílica de los Ángeles».

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