Devoção mariana

Reis Quarteu — CC BY-SA 4.0, vía Wikimedia Commons
Por qué esta página existe aparte
Porque em agosto de 1917 passaram três coisas ao mesmo tempo que a divulgação costuma misturar, contar mal ou adornar:
1. As três crianças foram retidos pela autoridade civil 13 de agosto e não puderam estar na Cova da Iria.
2. O aparecimento ocorreu dias depois e em outro lugar: en Valinhos.
3. O episódio do óleo fervente — o mais repetido de todos — Não está onde quase todo mundo acredita que está.
Além disso, há uma correção de data em que a própria edição oficial contradiz a sor Lúcia.
Quién era el administrador de Ourém
Artur de Oliveira Santos, administrador del concejo de Vila Nova de Ourém, nascido o 22 de Janeiro de 1884. Este dado consta na nota biográfica da edição crítica do Santuário (Documentação Crítica de Fátima. Seleção, p. 22).
O que você está documentado de seu punho e letra É sua hostilidade declarada ao fenômeno de Fátima e sua militância republicana anticlerical. Em um ofício seu dirigido à Federação Portuguesa do Livre Pensamento el 5 de junio de 1920, escreve:
— DCF. Seleção, doc. 56, pp. 212-215. Tradução própria.
Em 13 de agosto: não houve ocorrência na Cova
O próprio pároco de Fátima, P. Manuel Marques Ferreira, encabeçou sua anotação com uma secura eloquente: "5.a Aparição – Foram presas» (DCF. Seleção, doc. 5, pp. 36-37).
Aquele dia calcula-se que havia entre 5.000 e 6.000 pessoas esperando na Cova da Iria — o número é do próprio pároco, que a da «segundo os cálculos» em sua carta pública de agosto de 1917.
A acusação contra o pároco, e sua defesa por escrito
Correu o rumor de que o pároco havia sido cúmplice do rapto. Ele se defendeu publicamente no jornal O Ouriense do 25 de agosto de 1917:
O Administrador não me configurou o segredo de suas intenções.»
— DCF. Seleção, doc. 6, pp. 37-40. Tradução própria.
A edição nota que cartas equivalentes foram publicadas em O Mensageiro (Leiria, 22-VIII-1917) e em A Ordem (Lisboa, 25-VIII-1917).
Anos depois, o 7 de dezembro de 1929, o mesmo pároco escreveu ao Dr. Galamba de Oliveira enumerando as perseguições sofridas e repetindo, para o sequestro, ao seu relatório de 1917:
— DCF. Seleção, doc. 110, pp. 399-401.
As ameaças: o que dizem exatamente as fontes
Esta é a correção mais útil desta página, e a damos com todas as suas peças.
Nas MemóriasO que Lucia escreve é a ameaça de freír, sem mencionar o óleo:
— I Memória, Memórias, p. 51. Tradução própria.
A menção explícita do óleo fervente está em outro documento e é posterior: declaração de Lúcia perante a Comissão Canónica Diocesana de 8 de Julho de 1924, citada literalmente pelo estudo oficial do Santuário:
— Declaração de 8 de Julho de 1924, Documentação Crítica de Fátima 2, doc. 8, pp. 142-143, citada em: **CRISTINO, Luciano, Quarta aparição de Nossa Senhora nos Valinhos a 19 de agosto de 1917, Fátima, Santuário de Fátima, 2014, pp. 49-60 — PDF oficial:
https://www.fatima.pt/files/upload/estudos/E003_Quarta%20aparicao%20de%20Nossa%20Senhora.pdf (HTTP 200).Conclusão honrada: o episódio do óleo fervente é de fonte canônica e está documentado, mas não está nas Memórias: está na declaração de 1924. Quem o cite “segundo as Memórias de sor Lúcia” está citando mal.
E uma cautela de método que convém imitar: a própria cronologia oficial do Santuário usa a fórmula “a acreditar no relato de Lúcia, várias ameaças para que revelassem o segredo». O Santuário mesmo distingue o relato da certeza.
A aparição de Valinhos
Data: 19 de agosto de 1917. Local: Valinhos, perto de Aljustrel, onde as crianças apazentavam o rebanho.
— Quero que continueis indo para a Cova da Iria no dia 13, que continueis rezando o rosário todos os dias. No último mês farei o milagre para que todos acreditem.
[…]
O que você quer fazer com o dinheiro que as pessoas deixam na Cova da Iria?
— Há dois andas: uma a leva você com Jacinta e outras duas meninas, vestidas de branco; a outra a leva Francisco com três meninos. O dinheiro das andas é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobre é para ajuda de uma capela que têm de mandar fazer.
- Queria pedir-lhe a cura de alguns doentes.
— Sim, alguns curarei durante o ano.
E tomando um aspecto mais triste:
— Rezad, reza muito e faz sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas ao inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.»
— IV Memória, pp. 178-179**. Tradução própria.
E o interrogatório do pároco do 27 de agosto de 1917 recolhe, a quente, o que se perdeu pelo sequestro:
— DCF, vol. I, p. 17; cf. também doc. 5 da Seleção, p. 36 (interrogação de 21 de Agosto).
«La Aldea» es Aldeia da Cruz, antigo nome de Vila Nova de Ourém, segundo anota a própria edição. )
A data: 19 de agosto, no 15. E ele diz o editor contra a vidente
Este é um dos seis pontos em que o relato corrente de Fátima anda errado, e o caso é instrutivo porque quem corrige sor Lúcia é sua própria edição oficial.
Sor Lúcia escreve na Segunda Memória que o aparecimento foi o 15 de agosto. A nota 21 da edição oficial responde:
— notas 21 a II Memória, Memórias da Irmã Lúcia I. Tradução própria.
A base documental da correção São duas coisas:
1. El interrogatório do pároco de 21 de agosto de 1917, escrito dois dias após o fato: «Dijo Lúcia que viu Nossa Senhora no domingo seguinte ao dia 13 no site do ValinhoDCF. Seleção, doc. 5, p. 36).
2. As declarações de Manuel Pedro Marto, Olímpia de Jesus, Maria Rosa e Maria dos Santos perante a Comissão Canónica 28 de setembro de 1923, que datam o aparecimento em 19 de agosto (estudo oficial E003 do Santuário, HTTP 200).
La maquinaria administrativa, documentada
O assédio não foi uma explosão de um funcionário. Há papel:
| Data | Documento | Conteúdo |
|---|---|---|
| 7-V-1920 | Telegrama Governador civil de Santarém ao administrador (DCF. Seleção, doc. 55, p. 211) | Ordena impedir a comemoração de 13 de Maio |
| 5-VI-1920 | Ofício de Artur de Oliveira Santos a la Federação do Livre Pensamento (doc. 56, pp. 212-215) | O texto acima citado |
| 8-X-1923 | Ofício do governador civil (doc. 81, p. 314) | "Estándo-se preparando para o próximo dia 13 do corrente uma manifestação de caráter reacionário, sob o pretexto de culto religioso No lugar de Fátima, venho pedir a V. E. que [...] se digne proibir qualquer procissão ou cirio…» |
Fátima nasceu, portanto, Em meio a uma hostilidade oficial documentada, na Primeira República Portuguesa. Esse é o contexto histórico, e está testado com documentos do próprio aparelho do Estado.
Fontes desta página
- Documentação Crítica de Fátima. Seleção de documentos (1917-1930), Santuário de Fátima, 2013 — PDF oficial, ficha F001:
https://www.fatima.pt/files/upload/fontes/F001_DCF_selecao.pdf(HTTP 200). Documentos 5, 6, 55, 56, 81, 110; nota biográfica p. 22. - Memórias da Irmã Lúcia I — PDF oficial, ficha F002:
https://www.fatima.pt/files/upload/fontes/F002_Memorias1.pdf(HTTP 200). I Memoria p. 51; II Memoria y su nota 21; IV Memoria pp. 178-179. - CRISTINO, Luciano, Quarta aparição de Nossa Senhora nos Valinhos a 19 de agosto de 1917, Fátima, Santuário de Fátima, 2014 — PDF oficial:
https://www.fatima.pt/files/upload/estudos/E003_Quarta%20aparicao%20de%20Nossa%20Senhora.pdf(HTTP 200). - Santuário de Fátima, «Narrativa das aparições»:
https://www.fatima.pt/pt/pages/narrativa-das-aparicoes(HTTP 200).
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