Agosto de 1917: três crianças no calaboço e uma aparição fora da Cova

Devoção mariana

el lugar de Valinhos (Fátima), con el monumento que señala la aparición del 19 de agosto de 1917
o lugar de Valinhos (Fátima), com o monumento que assinala a aparição de 19 de agosto de 1917
Reis Quarteu — CC BY-SA 4.0, vía Wikimedia Commons

Por qué esta página existe aparte

Porque em agosto de 1917 passaram três coisas ao mesmo tempo que a divulgação costuma misturar, contar mal ou adornar:

1. As três crianças foram retidos pela autoridade civil 13 de agosto e não puderam estar na Cova da Iria.

2. O aparecimento ocorreu dias depois e em outro lugar: en Valinhos.

3. O episódio do óleo fervente — o mais repetido de todos — Não está onde quase todo mundo acredita que está.

Além disso, há uma correção de data em que a própria edição oficial contradiz a sor Lúcia.

Quién era el administrador de Ourém

Artur de Oliveira Santos, administrador del concejo de Vila Nova de Ourém, nascido o 22 de Janeiro de 1884. Este dado consta na nota biográfica da edição crítica do Santuário (Documentação Crítica de Fátima. Seleção, p. 22).

O que você está documentado de seu punho e letra É sua hostilidade declarada ao fenômeno de Fátima e sua militância republicana anticlerical. Em um ofício seu dirigido à Federação Portuguesa do Livre Pensamento el 5 de junio de 1920, escreve:

“Agradeço as felicitações com que se dignaram honrar-me, embora inmerecidas. A reação sofreu no dia 13 de maio, graças às providências do governo [...] um grande golpe que lhe destruiu a projectada parada com que pretendiam não só explorar mais uma vez a ingenuidade do povo inculto, mas também preparar um fio de onde fariam seus ataques odiosos à República. Não desarmado ainda os promotores da manifestação de Fátima (todos eles autênticos inimigos da República) [...] e ainda servem da chamada vidente Lúcia dos Santos, menina de 13 anos, uma pobre doente, para melhor explorar o povo ignorante.»
— DCF. Seleção, doc. 56, pp. 212-215. Tradução própria.
⚠️ O que NÃO está verificado. Se repite constantemente que Artur de Oliveira Santos era mason e que o chamavam "o Herrero" (o Ferreiro). Não encontrámos isso em fonte primária. As Memórias só o identificam como "o Administrador... Artur de Oliveira Santos". Seu anticlericalismo republicano está documentado por seu próprio ofício; masonaria e alcunha, não. Este módulo no los afirma.

Em 13 de agosto: não houve ocorrência na Cova

O próprio pároco de Fátima, P. Manuel Marques Ferreira, encabeçou sua anotação com uma secura eloquente: "5.a Aparição – Foram presas» (DCF. Seleção, doc. 5, pp. 36-37).

Aquele dia calcula-se que havia entre 5.000 e 6.000 pessoas esperando na Cova da Iria — o número é do próprio pároco, que a da «segundo os cálculos» em sua carta pública de agosto de 1917.

A acusação contra o pároco, e sua defesa por escrito

Correu o rumor de que o pároco havia sido cúmplice do rapto. Ele se defendeu publicamente no jornal O Ouriense do 25 de agosto de 1917:

"Venho fazer patente e garantir ante todos [...] o rumor tanto mais infamante e repelente quanto mais perigoso para minha existência e dignidade paroquial de que fui cúmplice no súbito arrebatamento das criaturitas [...] Eu venho repelir tão injusta como insidiosa calúnia, clamando ao mundo inteiro que não tomei parte, por mínima que fosse, nem direta nem indiretamente, no odioso e sacrílego ato.
O Administrador não me configurou o segredo de suas intenções.»
— DCF. Seleção, doc. 6, pp. 37-40. Tradução própria.

A edição nota que cartas equivalentes foram publicadas em O Mensageiro (Leiria, 22-VIII-1917) e em A Ordem (Lisboa, 25-VIII-1917).

Anos depois, o 7 de dezembro de 1929, o mesmo pároco escreveu ao Dr. Galamba de Oliveira enumerando as perseguições sofridas e repetindo, para o sequestro, ao seu relatório de 1917:

«4.o – Quanto ao rapto das crianças no dia 13 de Agosto, é descrito no meu relatório das Aparições referente ao mês de Agosto., que me consta que Sua Excelência o Senhor Bispo tem em seu poder.»
— DCF. Seleção, doc. 110, pp. 399-401.

As ameaças: o que dizem exatamente as fontes

Esta é a correção mais útil desta página, e a damos com todas as suas peças.

Nas MemóriasO que Lucia escreve é a ameaça de freír, sem mencionar o óleo:

"dizendo que dentro de pouco nos vinham buscar para freírnos»
— I Memória, Memórias, p. 51. Tradução própria.

A menção explícita do óleo fervente está em outro documento e é posterior: declaração de Lúcia perante a Comissão Canónica Diocesana de 8 de Julho de 1924, citada literalmente pelo estudo oficial do Santuário:

“Eles nos levaram à prisão e nos ameaçaram ficar lá se não o dissemos. Volvimos à administração, e como não vamos deixar o segredo, Prometeram que nos iriam freír com óleo…»
— Declaração de 8 de Julho de 1924, Documentação Crítica de Fátima 2, doc. 8, pp. 142-143, citada em: **CRISTINO, Luciano, Quarta aparição de Nossa Senhora nos Valinhos a 19 de agosto de 1917, Fátima, Santuário de Fátima, 2014, pp. 49-60 — PDF oficial: https://www.fatima.pt/files/upload/estudos/E003_Quarta%20aparicao%20de%20Nossa%20Senhora.pdf (HTTP 200).

Conclusão honrada: o episódio do óleo fervente é de fonte canônica e está documentado, mas não está nas Memórias: está na declaração de 1924. Quem o cite “segundo as Memórias de sor Lúcia” está citando mal.

E uma cautela de método que convém imitar: a própria cronologia oficial do Santuário usa a fórmula “a acreditar no relato de Lúcia, várias ameaças para que revelassem o segredo». O Santuário mesmo distingue o relato da certeza.

A aparição de Valinhos

Data: 19 de agosto de 1917. Local: Valinhos, perto de Aljustrel, onde as crianças apazentavam o rebanho.

"— O que me é usado?
—
Quero que continueis indo para a Cova da Iria no dia 13, que continueis rezando o rosário todos os dias. No último mês farei o milagre para que todos acreditem.
[…]
O que você quer fazer com o dinheiro que as pessoas deixam na Cova da Iria?
—
Há dois andas: uma a leva você com Jacinta e outras duas meninas, vestidas de branco; a outra a leva Francisco com três meninos. O dinheiro das andas é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobre é para ajuda de uma capela que têm de mandar fazer.
- Queria pedir-lhe a cura de alguns doentes.
—
Sim, alguns curarei durante o ano.
E tomando um aspecto mais triste:
—
Rezad, reza muito e faz sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas ao inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.»
— IV Memória,
pp. 178-179**. Tradução própria.

E o interrogatório do pároco do 27 de agosto de 1917 recolhe, a quente, o que se perdeu pelo sequestro:

«Se não tivessem se marchado com você para a Aldeia, seria o milagre mais conhecido; havia de vir São José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo e havia de vir Nosso Senhor a abençoar o povo...»
— DCF, vol. I, p. 17; cf. também doc. 5 da Seleção, p. 36 (interrogação de 21 de Agosto).

«La Aldea» es Aldeia da Cruz, antigo nome de Vila Nova de Ourém, segundo anota a própria edição. )

A data: 19 de agosto, no 15. E ele diz o editor contra a vidente

Este é um dos seis pontos em que o relato corrente de Fátima anda errado, e o caso é instrutivo porque quem corrige sor Lúcia é sua própria edição oficial.

Sor Lúcia escreve na Segunda Memória que o aparecimento foi o 15 de agosto. A nota 21 da edição oficial responde:

“Lucía afirma aqui e também em outro lugar que a aparição nos Valinhos havia sido em 15 de agosto... Este é um erro: o dia do retorno foi, com certeza, o dia 15 de agosto; mas a aparição terá sido no domingo seguinte, em 19 de agosto.»
— notas 21 a II Memória, Memórias da Irmã Lúcia I. Tradução própria.

A base documental da correção São duas coisas:

1. El interrogatório do pároco de 21 de agosto de 1917, escrito dois dias após o fato: «Dijo Lúcia que viu Nossa Senhora no domingo seguinte ao dia 13 no site do ValinhoDCF. Seleção, doc. 5, p. 36).

2. As declarações de Manuel Pedro Marto, Olímpia de Jesus, Maria Rosa e Maria dos Santos perante a Comissão Canónica 28 de setembro de 1923, que datam o aparecimento em 19 de agosto (estudo oficial E003 do Santuário, HTTP 200).

Por que isso importa e não é uma minucia. Porque mostra como funciona a crítica documental em Fátima: o documento escrito a quente em 1917 corrige a Memória escrita em 1937. E porque a edição oficial do Santuário não dissimula o erro da vidente- O anota. O P. Joaquim M. Alonso, na introdução dessa mesma edição, o havia avisado: "é já conhecida a insegurança de Lúcia» Quanto às datas, e "uma crítica inteligente encontra alguns erros meramente acidentais de datas, de factos, de circunstâncias».

La maquinaria administrativa, documentada

O assédio não foi uma explosão de um funcionário. Há papel:

DataDocumentoConteúdo
7-V-1920Telegrama Governador civil de Santarém ao administrador (DCF. Seleção, doc. 55, p. 211)Ordena impedir a comemoração de 13 de Maio
5-VI-1920Ofício de Artur de Oliveira Santos a la Federação do Livre Pensamento (doc. 56, pp. 212-215)O texto acima citado
8-X-1923Ofício do governador civil (doc. 81, p. 314)"Estándo-se preparando para o próximo dia 13 do corrente uma manifestação de caráter reacionário, sob o pretexto de culto religioso No lugar de Fátima, venho pedir a V. E. que [...] se digne proibir qualquer procissão ou cirio…»

Fátima nasceu, portanto, Em meio a uma hostilidade oficial documentada, na Primeira República Portuguesa. Esse é o contexto histórico, e está testado com documentos do próprio aparelho do Estado.

Fontes desta página

  • Documentação Crítica de Fátima. Seleção de documentos (1917-1930), Santuário de Fátima, 2013 — PDF oficial, ficha F001: https://www.fatima.pt/files/upload/fontes/F001_DCF_selecao.pdf (HTTP 200). Documentos 5, 6, 55, 56, 81, 110; nota biográfica p. 22.
  • Memórias da Irmã Lúcia I — PDF oficial, ficha F002: https://www.fatima.pt/files/upload/fontes/F002_Memorias1.pdf (HTTP 200). I Memoria p. 51; II Memoria y su nota 21; IV Memoria pp. 178-179.
  • CRISTINO, Luciano, Quarta aparição de Nossa Senhora nos Valinhos a 19 de agosto de 1917, Fátima, Santuário de Fátima, 2014 — PDF oficial: https://www.fatima.pt/files/upload/estudos/E003_Quarta%20aparicao%20de%20Nossa%20Senhora.pdf (HTTP 200).
  • Santuário de Fátima, «Narrativa das aparições»: https://www.fatima.pt/pt/pages/narrativa-das-aparicoes (HTTP 200).

Há falta de devoção à Virgem Maria em sua cidade?

Se você não encontrar a advocação mariana de sua cidade ou cidade, céntanosla: a investigaremos para colocá-la e dar a conhecer neste mapa do amor da Mãe pelo mundo.

Propor um santo padroeiro →
🌹 Pensamento

Leia →
🌹 Pensamentos

Rainha da Paz · Medjugorje

Uma mensagem para reflexão.

Una invitación a detenerse, orar y volver la mirada a Jesucristo.

Fragmento de un presunto mensaje, presentado con prudencia conforme a la Nota vaticana de 2024.

🌹Anedota marianaDescubra-os