Os três peregrinos que esculpiram a Geperudeta

Anedotas sobre a Virgem Maria

Os três peregrinos que esculpiram a Geperudeta

Valência (Espanha) (1414)

Los tres peregrinos que tallaron a la Geperudeta
Basílica de la Virgen de los Desamparados, Valencia. Foto: Coralma*, Wikimedia Commons (CC0)

Valência ama sua Virgem dos Desamparados por um nome carinhoso: La Geperudeta, pela suave inclinação de sua cabeça, que parece atenta aos seus filhos. E sua origem está envolta em uma das mais belas lendas da piedade espanhola. A tradição conta que, por volta de 1414, três jovens vestidos de peregrinos chegaram à casa da confraria do Hospital dos Inocentes e dos Desamparados. Ofereceram-se para esculpir uma imagem da Virgem em troca de um lugar para trabalhar e comida, com apenas uma condição: que não fossem incomodados por alguns dias.

Os membros da irmandade os instalaram e respeitaram o pedido. Após o tempo estipulado — três dias, segundo alguns relatos, quatro, segundo outros — como não ouviram nenhum ruído, arrombaram a porta. Lá dentro, encontraram a imagem da Virgem, perfeitamente acabada, mas os três peregrinos haviam desaparecido sem deixar rastro. Diante desse evento inexplicável, os membros da irmandade concluíram que deviam ter sido anjos. E, acrescenta a história, a esposa cega e paralítica de um dos membros recuperou a visão e a saúde durante esses dias.

Forzaron la puerta y hallaron la imagen acabada; los peregrinos se habían esfumado.

Como editor, devo fazer uma distinção com carinho. O episódio dos três anjos peregrinos e da cura da esposa é uma lenda piedosa, frequentemente repetida em obras pastorais e populares, mas não há documentação contemporânea de 1414 para confirmá-la. O que está verdadeiramente documentado, e comovente, é a origem do hospital: por volta de 1407-1409, Frei Juan Gilabert Jofré, um mercedário, viu alguns jovens maltratando uma pessoa com doença mental e pregou na Catedral pedindo proteção para "os pobres doentes abandonados". Desse sermão nasceu o Hospital dos Inocentes e dos Desamparados, e com ele a confraria e a dedicação à Virgem.

A história da devoção também está documentada: a transferência da imagem durante a peste de 1647, a construção da basílica por volta de 1667, sua declaração como Padroeira de Valência por Leão XIII em 1885 e a coroação canônica autorizada por Bento XV em 1921 e celebrada em 1923. Quanto ao Rosário, não há registro de uma instituição específica ligada a essa devoção, embora a Ave Maria o acompanhe, como em qualquer santuário mariano. Em Valência, ela é considerada "la mare que no abandona mai als seus fills": a mãe que nunca abandona seus filhos.

Fuentes: Pastoral UCH-CEU; Barnabitas; Visit Valencia; estudios históricos locales y diocesanos sobre fray Juan Gilabert Jofré, el Hospital de los Inocentes y Desamparados, el Capitulet y la basílica.

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