A Virgem da Gruta e a Batalha de Dom Pelayo

Anedotas sobre a Virgem Maria

A Virgem da Gruta e a Batalha de Dom Pelayo

Cangas de Onís, Astúrias (Espanha) (c. 722)

La Santina de la cueva y la batalla de don Pelayo
Santa Cueva de Covadonga (Asturias). Foto: Txo, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Existem lugares onde a fé e o patriotismo se entrelaçam, e Covadonga é um deles. Na Gruta Sagrada, escavada na rocha no município de Cangas de Onís, venera-se uma pequena estátua de madeira policromada, carinhosamente conhecida como La Santina pelos asturianos. A tradição a liga a Dom Pelayo e à Batalha de Covadonga, por volta do ano 722, posteriormente vista como o início simbólico da Reconquista.

Segundo a piedosa história, antes da chegada de Pelayo, um eremita já venerava uma imagem da Virgem naquela gruta. Pelayo e seus homens refugiaram-se ali, e ali, de joelhos, o líder invocou a proteção da Mãe de Deus antes da batalha. Algumas versões dizem que a Virgem lhe apareceu. E na batalha, conta a lenda, ocorreram milagres: flechas lançadas contra os cristãos abrigados no rochedo ricochetearam e atingiram os próprios arqueiros, e uma tempestade e um deslizamento de rochas soterraram parte do exército inimigo, tudo atribuído à intercessão de Maria.

Las flechas rebotaban en la roca y se volvían contra quienes las disparaban.

Como editor, devo fazer uma distinção honesta. A existência de Dom Pelayo e uma vitória cristã na região de Covadonga estão documentadas; sua interpretação como o marco inicial da Reconquista é uma construção historiográfica posterior. Em contrapartida, a aparição visível da Virgem, as flechas ricocheteando e a montanha que se ergue sobre o inimigo são tradições piedosas, não fatos físicos verificáveis. O próprio santuário reconhece que "a história antiga não nos deixou nada escrito" sobre os primórdios do culto e que a estátua atual não é a do século VIII, visto que "não sabemos qual era a aparência da imagem original". Além disso, incêndios e destruição tornaram necessária a sua substituição.

O que é documentado e precioso é o seu patrocínio: padroeira de Oviedo e da sua diocese desde 1630, e do Principado das Astúrias desde 1968. Todos os anos, a 8 de setembro, festa da Natividade de Maria, o povo das Astúrias sobe à gruta e exclama com todo o coração: "Viva a Virgem de Covadonga!". Quanto ao Rosário, recomenda-se prudência: não há registo de uma instituição do Rosário específica de Covadonga como a de Fátima, mas a Ave Maria acompanha, como em todos os santuários marianos, os passos dos peregrinos que sobem à gruta.

Fuentes: Wikipedia («Virgen de Covadonga»); web oficial del santuario de Covadonga, secciones «Cronología» y sobre la imagen; síntesis históricas y devocionales; promoción institucional turística de Asturias.

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