A Estrela das Terras Altas na entrada da mina

Anedotas sobre a Virgem Maria

A Estrela das Terras Altas na entrada da mina

Oruro (Bolívia) (1606-1994)

La Estrella del Altiplano en la boca de la mina
Santuario del Socavón, Oruro (Bolivia). Foto: Erios30, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na cidade de Oruro, no altiplano boliviano, existe um santuário aninhado ao pé do morro Pie de Gallo, bem na entrada de um poço de mina. Ali, venera-se a Virgem do Poço da Mina, também conhecida como a "Estrela do Altiplano", padroeira dos mineiros. Antes da devoção mariana, existia no local uma ermida dedicada a São Miguel Arcanjo, ligada à mineração colonial, que já estava presente na época da fundação da Vila de Oruro, em 1º de novembro de 1606. Segundo estudos e historiadores, o nome "Nossa Senhora do Poço da Mina" foi estabelecido por volta de 1740.

A tradição Oruro conta uma história comovente: a do bandido "Chiruchiru" (ou "Nina Nina"), que roubava viajantes, mas dividia parte de seus bens com os pobres. Certa noite, ele foi mortalmente ferido dentro de um poço de mina; ao amanhecer, foi encontrado morto, e na parede rochosa, milagrosamente, apareceu uma pintura da Virgem Maria, que o acompanhou em sua agonia. Dessa descoberta, nasceu o culto dos mineiros, com Maria em contraste com a figura sinistra do "Tio da Mina".

Que un bandido arrepentido fuera el primero en ser velado por su imagen dice bien quién es esta Madre: la que baja a lo más hondo y oscuro de la tierra para no dejar morir solo a nadie.

É preciso dizer com carinho e sinceridade: a história de Chiruchiru é uma tradição oral amplamente difundida e uma lenda piedosa, mas não está registrada em documentos do século XVIII; a historiografia a registra como o mito fundador do santuário. Os próprios estudos reconhecem que "é impossível precisar quando começou o culto à Virgem de Socavón, porque não há documentação sobre o assunto". O que está documentado é a ermida de San Miguel desde o século XVII, sua transição para um santuário mariano por volta de 1740 e que, em 1781, em meio à revolução, ela foi invocada como protetora dos independentistas, sendo escolhida como padroeira da cidade.

A devoção foi solenemente reconhecida: por lei de 12 de fevereiro de 1994, a Virgem de Socavón foi declarada Padroeira do Folclore Nacional Boliviano e, em 18 de maio de 2001, a UNESCO declarou o Carnaval de Oruro, a ela associado, Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade. Este Carnaval é, na realidade, uma oferenda dançada: milhares de dançarinos entram e se prostram diante da imagem, muitos como devotos que oferecem anos de dança em troca de graças. O santuário abriga inúmeras oferendas votivas de mineiros salvos de desabamentos e explosões. O Rosário faz parte das novenas e vigílias que precedem o Carnaval e, em muitas imagens religiosas, a Virgem aparece segurando-o; contudo, não há título canônico ou confraria do Rosário que a vincule formalmente a esta devoção.

Fuentes: Entrada «Virgen del Socavón» en Wikipedia en español; artículo académico sobre la Virgen como protectora de los independentistas y los ritos coloniales de Oruro; estudios e información histórica sobre la ermita de San Miguel; crónicas del Santuario y Museo del Socavón; ley boliviana de 1994 y declaración UNESCO de 2001.

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